Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A Ilha

Gosto de brisa novinha
que embarca singela
em minha janela a dentro.

Gosto do sussuro do vento
animando as folhas secas
e anunciando a tardinha.

Gosto de ouvir as falas do mar
cantando minhas saudades...
aproximando as estrelas do luar

Se pudesse sempre ser assim
bastaria deixar de esconder
os segredos que tem em você.

Se tivesse motivo pra sorrir
qual sorriso gostaria de ter?


Léo Rosa


quinta-feira, 8 de maio de 2008

Pós Tudo




Pós Tudo - poema concreto de Augusto de Campos

Dias e dias


TEM dias que as palavras são de chumbo
E a gente não trasborda sentimentos, só repisa trilhas batidas.
TEM dias que a inspiração é horrorosa
E a gente só quer despir os panos esgarçardos nas ilusões.
TEM dias que a mente não pára e não vem revelação
E a gente só quer rasgar os remendos mal cerzidos pela pieguice.
TEM dias que a poesia se liquefaz em queixa
E a gente só desdobra os lenços úmidos de lamentos.
TEM dias que tudo fica duro, muito áspero
E a gente só quer sumir pelas montanhas da solidão.
TEM dias que a morte parece tão eminente
E a gente só treme diante do grande medo.
TEM dias que a solidão é avassaladora
E a gente só grita Eloí, Eloí....



Ricardo Gondim

domingo, 4 de maio de 2008

Poesia Concreta


(Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Augusto de Campos -irmão de Haroldo e o mais polêmico dos três)


Em 1956, a Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada na cidade de São Paulo, lançou oficialmente o mais controverso movimento de poesia vanguardista brasileira: o concretismo*.

Criada por Décio Pignatari (1927), Haroldo de Campos (1929) e Augusto de Campos (1931), a poesia concreta era um ataque à produção poética da época, dominada pela geração de 1945, a quem os jovens paulistas acusavam de verbalismo, subjetivismo, falta de apuro e incapacidade de expressar a nova realidade gerada pela revolução industrial.

São Paulo vivia então o apogeu do desenvolvimentismo da Era J.K. e seus intelectuais buscavam uma poética ideológica/artística cosmopolita, como tinham feito os modernistas de 1922. Por isso, um dos modelos adotados pelos concretos foi Oswald de Andrade cuja lírica sintética (“poemas-pílula”) representava para eles o vanguardismo mais radical.

* Desde 1952, os jovens intelectuais paulistas vinham procurando um novo caminho através de uma revista chamada Noigandres, palavra tirada de um poema de Erza Pound e que não significa nada.

"Todo o poema é uma aventura planificada"

Em síntese, os criadores do concretismo propugnavam um experimentalismo poético (planificado e racionalizado) que obedecia aos seguintes princípios:


- Abolição do verso tradicional, sobretudo através da eliminação dos laços sintáticos (preposições, conjunções, pronomes, etc.), gerando uma poesia objetiva, concreta, feita quase tão somente de substantivos e verbos;

- Um linguagem necessariamente sintética, dinâmica, homóloga à sociedade industrial (“A importância do olho na comunicação mais rápida... os anúncios luminosos, as histórias em quadrinhos, a necessidade do movimento....”);

- Utilização de paronomásias, neologismos, estrangeirismos; separação de prefixos e sufixos; repetição de certos morfemas; valorização da palavra solta (som, forma visual, carga semântica) que se fragmenta e recompõe na página;

- O poema transforma-se em objeto visual, valendo-se do espaço gráfico como agente estrutural: uso dos espaços brancos, de recursos tipográficos, etc.; em função disso o poema deverá ser simultaneamente lido e visto.



Fonte: educaterra.terra.com.br



Seguem obras dos poetas citados:


Haroldo de Campos - Se


Décio Pignatari - Beba Coca Cola


Augusto de Campos - Tudo Está Dito

terça-feira, 29 de abril de 2008

Poesia Encarnada

(Imagem: Marika Gidali - Diretora do Ballet Stagium)



A maior parte dos artistas cristãos de dança com quem tive contato direto ou indireto, não têm o hábito de ler, ainda menos o hábito de ler para produzir dança. Isso não é uma regra, nem precisa ser. Mas, por experiência própria, percebi que a leitura de textos filosóficos, críticas, poesias e literaturas ajudam MUITO na produção de obras de arte.

Essas leituras não só auxiliam na criação como também dão respaldo para a mensagem, sensação, história, idéia, pesquisa ou seja lá o que você deseja falar através da sua coreografia, peformance ou improvisação.

Baseado nessa afirmação, pretendo postar com alguma regularidade, textos e poesias que me auxiliaram em alguma construção ou que possam ser úteis para a sua construção de corpo em dança. E inaugurando, posto aqui uma poesia de Cecília Meirelles que se tornou meu lema na equipe de evangelismo com artes (Adufes Cia de Artes), do qual sou parte.

Segue:


FALAI DE DEUS

Falai de Deus com a clareza
Da verdade e da certeza:
Com um poder

De corpo e alma que não possa
ninguém, à passagem vossa,
não o entender

Falai de Deus brandamente,
que o mundo se pôs dolente,
tão sem leis

Falai de Deus com doçura,
que é difícil ser criatura:
bem o sabeis

Falai de Deus de tal modo
que por Ele o mundo todo
tenha amor

à vida e à morte, e, de vê-lo,
o escolha como modelo superior

Com voz, pensamentos e atos
representai tão exatos
os reinos Seus,

que todos vão livremente
para esse encontro excelente.
Falai de Deus.


(Cecília Meirelles)