Desculpa a minha ausência nas últimas semanas.
Não estou podendo postar com regularidade, por causa do encerramento de semestre na faculdade e nas academias. Além das programações e agendamentos do Impacto de São João.
Asim que possível, volto a postar.
Prometo que não demorarei tanto.
Abração !!!
quinta-feira, 29 de maio de 2008
segunda-feira, 12 de maio de 2008
A dança NÃO comunica ???

Semanas atrás, a cia de artes da qual participo – Adufes Cia de Artes – foi convidada para participar de um evento evangelístico numa praça pública. Os organizadores do evento, do qual já participamos com considerável freqüência, nos convidaram com todo carinho e nos expuseram a programação do mesmo. Dessa vez eles estavam convidando um grupo musical muito conhecido no país e de importância histórica para a música nacional cristã – me refiro à música feita com responsabilidade técnica e coerência teológica.
Como os eventos desse perfil são o foco principal da nossa companhia, naturalmente aceitamos. E, como é de costume nesse evento, especificamente, dançaríamos junto com a banda que estivesse tocando – no caso, esse famoso grupo. Lógico que o fato de participarmos junto com eles, dançando músicas que cantamos durante tantos anos, dava um sabor ainda mais especial à ocasião. Então marcamos a data e acertamos os processos. Logo na reunião seguinte foi avisado a todos os integrantes e acertados todos os percalços.
Porém, na noite do evento, os organizadores chegaram tristes para nos dar a notícia de que o pastor, líder do grupo, preferiu que não houvesse dança durante as músicas. Ele usou como argumento a idéia de que o grupo dele tocava músicas focadas nas letras, que eram de cunho evangelístico e a dança tiraria o foco da mensagem, tiraria a atenção. Permitiu apenas que dançássemos uma das canções, e a escolha ficaria por nosso critério.
Ora, enquanto ele sustentava a teoria que a dança “não se encaixaria” na proposta musical deles, tudo bem. Eles são livres para escolher a linguagem e a linha artística que querem seguir. Não são obrigados a sofrer intervenções diretas em seu modo de produzir arte, nó é que precisamos respeitar sua técnica – como fizemos. São músicos, fazem música reflexiva e não desejam outras intervenções performáticas em sua obra para não alterar seu método. É plenamente compreensível e plausível, mas apenas enquanto OPÇÃO artística.
Mas a justificativo não ficou apenas nesse ponto. Ele disse que a dança tiraria a atenção da MENSAGEM – no caso, mensagem evangelística. E é justamente nesse ponto que desejo desenvolver esta análise crítica. Não pretendo discorrer sobre o grupo, pois os compreendo inteiramente, mas sim acerca dessa questão que é fundamentalmente preconceituosa e infundada e ainda muito disseminada na comunidade cristã brasileira.
Entremos, pois, no assunto...
A dança ainda é vista em muitas comunidades cristãs como mera alegoria da música, mero acessório. Posto que interpretam erroneamente a música como principal instrumento de louvor, logo colocam a dança como, no máximo, pano de fundo da “mensagem” musical. Essa postura está errada desde seu começo.
Primeiramente, música NÃO é louvor e, tão pouco, adoração.
Adoração é uma prática necessariamente ligada a uma consciência de entrega e devoção a quem se adora. Isso tem a ver com um cotidiano de testemunho prático e lúcido e de uma vida inteiramente voltada para uma pessoa ou um propósito específico. Adorar é viver e caminhar para algo ou alguém, permeando assim todos os aspectos da existência do adorador.
Já o louvor, é uma prática mais específica que está contida no exercício da adoração. Louvor nada mais é do que elogios, honrarias e bendizeres. Quando você elogia alguém por alguma obra, você a está louvando. No caso das liturgias e das manifestações de culto, existe ali um louvor específico, um louvor como resultado de uma vida em adoração e como atitude pública de rendição e dependência. É esse o louvor praticado durante as reuniões cristãs (ou, pelo menos, deveria ser). A música, como qualquer manifestação artística, é apenas UM dos recursos POSSÍVEIS para a prática explícita do louvor.
Precisamos investir mais tempo em estudos e em pesquisas, assim como em manifestações pacíficas e progressivas de reforma de certos hábitos. Precisamos entender que a “palavra falada”, essa sim, é vista biblicamente como fundamental e principal manifestação de divulgação, louvor e proclamação de Cristo e do Evangelho da Graça. O que quero, contudo, é problematizar é a questão COMUNICATIVA da dança.
Toda manifestação artística visa, antes de tudo, a comunicação, uma exposição de sentimentos, idéias, conceitos, processos, ideologias, e etc. Dança é arte e, por isso mesmo, a sua função mais primária é justamente comunicar. No momento que ela não visa a comunicação ou a relação com o outro, ela deixa de ser arte e passa a ser qualquer outra coisa.
O que, algumas vezes, tem impedido que a dança seja eficaz em sua tarefa é justamente o preconceito do espectador – e não estou me referindo aos ímpios, mas sim aos de casa. Quando há preconceito e resistência, nem dança, nem música, nem poesia, nem gritos estridentes são capazes de comunicar. Trabalho com dança há 10 anos, e a maior parte deles foi com dança evangelística. Vi e ainda vejo os frutos desse trabalho. A mensagem de Cristo chegou em ambientes onde nem a música – tão popular em nosso país - conseguiu alcançar. Sou apenas uma de muitas testemunhas que vivem dedicando seus melhores talentos à causa de Cristo, e colhendo frutos bons e prósperos.
Como os eventos desse perfil são o foco principal da nossa companhia, naturalmente aceitamos. E, como é de costume nesse evento, especificamente, dançaríamos junto com a banda que estivesse tocando – no caso, esse famoso grupo. Lógico que o fato de participarmos junto com eles, dançando músicas que cantamos durante tantos anos, dava um sabor ainda mais especial à ocasião. Então marcamos a data e acertamos os processos. Logo na reunião seguinte foi avisado a todos os integrantes e acertados todos os percalços.
Porém, na noite do evento, os organizadores chegaram tristes para nos dar a notícia de que o pastor, líder do grupo, preferiu que não houvesse dança durante as músicas. Ele usou como argumento a idéia de que o grupo dele tocava músicas focadas nas letras, que eram de cunho evangelístico e a dança tiraria o foco da mensagem, tiraria a atenção. Permitiu apenas que dançássemos uma das canções, e a escolha ficaria por nosso critério.
Ora, enquanto ele sustentava a teoria que a dança “não se encaixaria” na proposta musical deles, tudo bem. Eles são livres para escolher a linguagem e a linha artística que querem seguir. Não são obrigados a sofrer intervenções diretas em seu modo de produzir arte, nó é que precisamos respeitar sua técnica – como fizemos. São músicos, fazem música reflexiva e não desejam outras intervenções performáticas em sua obra para não alterar seu método. É plenamente compreensível e plausível, mas apenas enquanto OPÇÃO artística.
Mas a justificativo não ficou apenas nesse ponto. Ele disse que a dança tiraria a atenção da MENSAGEM – no caso, mensagem evangelística. E é justamente nesse ponto que desejo desenvolver esta análise crítica. Não pretendo discorrer sobre o grupo, pois os compreendo inteiramente, mas sim acerca dessa questão que é fundamentalmente preconceituosa e infundada e ainda muito disseminada na comunidade cristã brasileira.
Entremos, pois, no assunto...
A dança ainda é vista em muitas comunidades cristãs como mera alegoria da música, mero acessório. Posto que interpretam erroneamente a música como principal instrumento de louvor, logo colocam a dança como, no máximo, pano de fundo da “mensagem” musical. Essa postura está errada desde seu começo.
Primeiramente, música NÃO é louvor e, tão pouco, adoração.
Adoração é uma prática necessariamente ligada a uma consciência de entrega e devoção a quem se adora. Isso tem a ver com um cotidiano de testemunho prático e lúcido e de uma vida inteiramente voltada para uma pessoa ou um propósito específico. Adorar é viver e caminhar para algo ou alguém, permeando assim todos os aspectos da existência do adorador.
Já o louvor, é uma prática mais específica que está contida no exercício da adoração. Louvor nada mais é do que elogios, honrarias e bendizeres. Quando você elogia alguém por alguma obra, você a está louvando. No caso das liturgias e das manifestações de culto, existe ali um louvor específico, um louvor como resultado de uma vida em adoração e como atitude pública de rendição e dependência. É esse o louvor praticado durante as reuniões cristãs (ou, pelo menos, deveria ser). A música, como qualquer manifestação artística, é apenas UM dos recursos POSSÍVEIS para a prática explícita do louvor.
Precisamos investir mais tempo em estudos e em pesquisas, assim como em manifestações pacíficas e progressivas de reforma de certos hábitos. Precisamos entender que a “palavra falada”, essa sim, é vista biblicamente como fundamental e principal manifestação de divulgação, louvor e proclamação de Cristo e do Evangelho da Graça. O que quero, contudo, é problematizar é a questão COMUNICATIVA da dança.
Toda manifestação artística visa, antes de tudo, a comunicação, uma exposição de sentimentos, idéias, conceitos, processos, ideologias, e etc. Dança é arte e, por isso mesmo, a sua função mais primária é justamente comunicar. No momento que ela não visa a comunicação ou a relação com o outro, ela deixa de ser arte e passa a ser qualquer outra coisa.
O que, algumas vezes, tem impedido que a dança seja eficaz em sua tarefa é justamente o preconceito do espectador – e não estou me referindo aos ímpios, mas sim aos de casa. Quando há preconceito e resistência, nem dança, nem música, nem poesia, nem gritos estridentes são capazes de comunicar. Trabalho com dança há 10 anos, e a maior parte deles foi com dança evangelística. Vi e ainda vejo os frutos desse trabalho. A mensagem de Cristo chegou em ambientes onde nem a música – tão popular em nosso país - conseguiu alcançar. Sou apenas uma de muitas testemunhas que vivem dedicando seus melhores talentos à causa de Cristo, e colhendo frutos bons e prósperos.
Quando algo é feito com coerência, responsabilidade e fé, os frutos simplesmente nascem.
Experimente !!!
Graça, paz, consciência e sobriedade,
Neemias Santana
sexta-feira, 9 de maio de 2008
A Ilha
Gosto de brisa novinhaque embarca singela
em minha janela a dentro.
Gosto do sussuro do vento
animando as folhas secas
e anunciando a tardinha.
Gosto de ouvir as falas do mar
cantando minhas saudades...
aproximando as estrelas do luar
Se pudesse sempre ser assim
bastaria deixar de esconder
os segredos que tem em você.
Se tivesse motivo pra sorrir
qual sorriso gostaria de ter?
Léo Rosa
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Grupo Corpo - parte 2
Construção de uma linguagem O primeiro grande sucesso de Rodrigo como coreógrafo seria Prelúdios, de 1985, com música de Chopin. Esse espetáculo deixa claro seu forte sentido musical: a partitura vai sendo traduzida por peças que se encadeiam, assim como pelas frases entretramadas; e os deslocamentos dos bailarinos vão desenhando o espaço de um modo novo, segundo princípios da música.
Tanto o palco como os figurinos, em Prelúdios, são de tons azulados. Sua função é muito mais do que acessória, ou decorativa. Desde então, em todos os trabalhos do Corpo, cada elemento – cenário, figurino, luz -- tem parte ativa, ajudando a compor espetáculos complexos, onde várias artes multiplicam suas virtudes umas pelas outras.As coreografias seguintes – Bachiana e Carlos Gomes/Sonata (1986), Canções, Duo e Pas du Pont (1987), Schumann Ballet, Rapsódia e Uakti (1988) – acentuam a maneira característica de Rodrigo construir um desenho espacial. Sua produção de meados da década de 80 está fortemente ligada à técnica clássica, com elementos da dança contemporânea
Nas coreografias que vão de Prelúdios até 21 (marco de uma outra fase), Rodrigo vai testando seu domínio de estruturas e deslocamentos. A técnica do balé clássico, que é a base de seus trabalhos, vai sendo quebrada por movimentos do folclore e das danças de rua. O Corpo começa a trazer para o palco certa maneira particular do brasileiro se mover.Em 1988, em caráter extraordinário, a coreógrafa alemã Suzanne Linke foi convidada para montar um espetáculo para a companhia, Mulheres.
Desde 1989 até 1999, foi a Shell o principal patrocinador do Grupo. Uma parceria que definiu não só uma considerável estabilidade financeira, mas permitiu que a companhia assumisse ambições mais plenas. A dimensão quase operística das produções do Corpo, no sentido de uma colaboração estreita entre as artes, só foi possível nessas condições. Um núcleo criativo trabalha em conjunto, desde então: Paulo Pederneiras, Fernando Velloso, Freusa Zechmeister e Rodrigo Pederneiras. A partir de 1992, compositores são convidados a escrever trilhas especialmente para cada balé. Música, cenário, figurino e coreografia vão sendo construídos simultaneamente. Cada espetáculo é o resultado dessa interação. 
A parceria incentivou, também, o reconhecimento mundial do Corpo, que hoje faz temporadas anuais em países da Europa e das Américas. Vários outros parceiros, públicos e privados, patrocinariam o Grupo em alguma medida, ao longo dos anos.



Fotos de José Luiz Pederniras
espetáculo: "Breu"
espetáculo: "Breu"
fonte: Grupo Corpo, por Inês Bogéa
www.grupocorpo.com.br
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Dias e dias

TEM dias que as palavras são de chumbo
E a gente não trasborda sentimentos, só repisa trilhas batidas.
TEM dias que a inspiração é horrorosa
E a gente só quer despir os panos esgarçardos nas ilusões.
TEM dias que a mente não pára e não vem revelação
E a gente só quer rasgar os remendos mal cerzidos pela pieguice.
TEM dias que a poesia se liquefaz em queixa
E a gente só desdobra os lenços úmidos de lamentos.
TEM dias que tudo fica duro, muito áspero
E a gente só quer sumir pelas montanhas da solidão.
TEM dias que a morte parece tão eminente
E a gente só treme diante do grande medo.
TEM dias que a solidão é avassaladora
E a gente só grita Eloí, Eloí....
Ricardo Gondim
fonte: www.ricardogondim.com.br
Zum, zum, zum... capoeira mata um

Recentemente assisti a repetição de um programa evangélico de debates, bastante conhecido. Nessa noite, a grande questão era a aplicabilidade coerente da capoeira nas práticas cotidianas daqueles que se entendem como evangélicos ou cristãos.
De um lado, havia um ministro evangélico utilizando os já conhecidos argumentos preconceituosos (no sentido de conceito pré-estabelecido com pouca propriedade) que sempre utilizam quando querem impedir alguma manifestação artística ainda pouco convencional nas práticas cristãs tradicionais. Seu fadado argumento era que aceitar a capoeira no seio da comunidade cristã era quase o mesmo que aceitar a prática de cultos pagãos a deuses estranhos, posto que a capoeira tem origem nos escravos africanos trazidos ao Brasil colonial.
Naturalmente que esse ministro, em sua colocação, deve ter ignorado algumas nuances da mensagem do apóstolo Paulo, na carta aos Coríntios – especificamente no capítulo 8. Em seu discurso, ele não lembra que o “ídolo nada é no mundo” – conforme disse o apóstolo – e que a prática só se configura como idolatria quando o coração está, de fato, voltado para a idolatria. Ou seja, se pratico capoeira consciente de que aquilo em mim nada é além de uma atividade artística e física, que não tem nenhum fim específico alem da amplitude de vocabulário estético ou mesmo de condicionamento físico – encerrando a prática em si mesma ou em aplicações didáticas e artísticas -, logo essa prática não se constitui idolatria ou paganismo.
Outro aspecto do discurso do ministro está presente em um outro argumento em voga, também explicitado pelo mesmo e compartilhado por muitos cristãos evangélicos em todo o país. Qual seja: por que os evangélicos não “fazem” seu próprio estilo de manifestação artística, mas preferem ficar sempre "imitando" ou adaptando os já existente e "feitos" por não-cristãos? Ora, a resposta é ligeiramente simples: pelo fato de que o homem não cria nada a partir do “nada” desde sempre. Todas as construções humanas são feitas em cima de algo já existente.
Já havia dito Lavoisier* que “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, e ele tem alguma razão no que diz. Sim, pois nenhum homem cria qualquer coisa sem uma referência anterior, a tal ponto que mesmo um acidente só acontece se já existir os materiais e a situação necessários para esse evento. Portanto, nunca “inventamos” coisas, sempre “descobrimos” ou melhor, ADAPTAMOS, MESCLAMOS e RESIGNIFICAMOS as coisas já existentes. SÓ Deus cria tudo do nada, posto que Ele mesmo não é uma criação – diferente dos homens e da terra – mas todas as coisas além dEle são criadas e limitadas ao status de CRIATURAS.
Em outras palavras, já que a arte é um instrumento primariamente de louvor a Deus e exista, provavelmente, mesmo antes da existência do homem – com outras configurações, logicamente – logo, todas as práticas de arte no decorrer da história foram criadas a partir do exercício de louvor a Deus, ou seja, qualquer manifestação artística tem origem no culto ao Deus Criador.
Posto isso, volto aos parâmetros do debate.
Do outro lado, havia um grupo de capoeiristas-evangelistas que utilizam a linguagem da capoeira, além da aplicabilidade estética ou física, também com a finalidade de divulgar o Evangelho e estabelecer laços fraternos. Eles aproveitam que possuem talento para essa técnica - aliados à popularidade da própria técnica - para atrair jovens a esse ambiente onde, além da dança, também se faz presente a prática de orações e reflexões visando um discipulado cristão peculiar.
Já está claro que não condeno a prática da capoeira entre os que se entendem como discípulos de Cristo, porém algo no discurso deles me chamou a atenção pelo fato de ser um argumento – não diferente dos preconceitos do ministros – cada vez mais popular entre os artistas cristãos, especialmente os de dança. Repito: as práticas artísticas são tranqüilamente possíveis de aplicabilidades coerentes de cunho cristão. Acabei de discorrer um sucinto histórico artístico demonstrando que toda as manifestações artísticas tem origem no culto e, fundamentalmente, no culto ao Deus Criador. E que todas as práticas de arte decorrentes têm automaticamente sua origem no culto ao Deus Criador.
O problema é que nós artistas cristãos, na ânsia por provar que o que fazemos não fere a fé em Cristo e que pode até auxiliar, acabamos caindo no erro de entender e divulgar a prática de determinada arte como NECESSÁRIA ao exercício “completo” de comunidade cristã que cultua a Deus. Claro que o culto a Deus é necessário, mas a capoeira NÃO.
Se nos entendemos como igreja e deixamos de cultuar conscientemente a Deus, nosso exercício de fé fica desfalcado e passamos a andar de maneira incoerente com as doutrinas apostólicas, porém, se não praticamos a capoeira ou qualquer que seja o estilo da dança, nada necessariamente acontece em relação a essência da prática de culto cristão. Isso se dá pelo fato de que louvor consciente independe de manifestação artística, seja ela dança, poesia ou música. Louvor tem ligação direta com fé e consciência. A arte é um recurso secundário.
É nisso, portanto, que erramos freqüentemente e por esse motivo não saímos do empate argumentativo até hoje. Quando finalmente encaramos que dança NÃO é necessária para o desenvolvimento “completo” e coerente da prática de culto cristão, mas sim um POSSÍVEL aliado nas manifestações específicas de louvor e um excelente instrumento de divulgação do Evangelho da Graça de Cristo – que não precisa, mas também não despreza manifestações artísticas -, aí então, finalmente, andaremos coerentes com a Palavra que professamos viver.
Graça, paz, consciência e sobriedade,
Neemias Santana
Neemias Santana
*Antoine Lavoisier foi um famoso químico francês, considerado o criador da Química moderna.
domingo, 4 de maio de 2008
Poesia Concreta



(Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Augusto de Campos -irmão de Haroldo e o mais polêmico dos três)
Em 1956, a Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada na cidade de São Paulo, lançou oficialmente o mais controverso movimento de poesia vanguardista brasileira: o concretismo*.
Criada por Décio Pignatari (1927), Haroldo de Campos (1929) e Augusto de Campos (1931), a poesia concreta era um ataque à produção poética da época, dominada pela geração de 1945, a quem os jovens paulistas acusavam de verbalismo, subjetivismo, falta de apuro e incapacidade de expressar a nova realidade gerada pela revolução industrial.
São Paulo vivia então o apogeu do desenvolvimentismo da Era J.K. e seus intelectuais buscavam uma poética ideológica/artística cosmopolita, como tinham feito os modernistas de 1922. Por isso, um dos modelos adotados pelos concretos foi Oswald de Andrade cuja lírica sintética (“poemas-pílula”) representava para eles o vanguardismo mais radical.
* Desde 1952, os jovens intelectuais paulistas vinham procurando um novo caminho através de uma revista chamada Noigandres, palavra tirada de um poema de Erza Pound e que não significa nada.
"Todo o poema é uma aventura planificada"
Em síntese, os criadores do concretismo propugnavam um experimentalismo poético (planificado e racionalizado) que obedecia aos seguintes princípios:
- Abolição do verso tradicional, sobretudo através da eliminação dos laços sintáticos (preposições, conjunções, pronomes, etc.), gerando uma poesia objetiva, concreta, feita quase tão somente de substantivos e verbos;
- Um linguagem necessariamente sintética, dinâmica, homóloga à sociedade industrial (“A importância do olho na comunicação mais rápida... os anúncios luminosos, as histórias em quadrinhos, a necessidade do movimento....”);
- Utilização de paronomásias, neologismos, estrangeirismos; separação de prefixos e sufixos; repetição de certos morfemas; valorização da palavra solta (som, forma visual, carga semântica) que se fragmenta e recompõe na página;
- O poema transforma-se em objeto visual, valendo-se do espaço gráfico como agente estrutural: uso dos espaços brancos, de recursos tipográficos, etc.; em função disso o poema deverá ser simultaneamente lido e visto.
Fonte: educaterra.terra.com.br
Seguem obras dos poetas citados:
Haroldo de Campos - Se

Décio Pignatari - Beba Coca Cola

Augusto de Campos - Tudo Está Dito

Grupo Corpo - parte 1
Fundado em Belo Horizonte, em 1975, o Grupo Corpo é uma companhia de dança contemporânea, eminentemente brasileira em suas criações. Sua carreira vem sendo marcada por sucessivas metamorfoses, mas sempre norteada por três preocupações: a definição de uma identidade, vinculada a uma idéia de cultura nacional (com toda a fluidez que isso implica); a continuidade do trabalho, pensado a longo prazo; e a integridade na sustentação de padrões autoimpostos de elaboração.
Seu primeiro espetáculo, Maria Maria, foi um recorde de produção local: percorreu 14 países e foi dançado no Brasil desde 1976 até 1982. Coreografado pelo argentino Oscar Araiz, Maria Maria teve música de Milton Nascimento e roteiros de seu letrista Fernando Brant. O Último Trem, também de Araiz, consolida a primeira fase do Grupo Corpo, acentuada por uma visão particular de dança brasileira.
A fundação do Grupo ocorreu por iniciativa de Paulo Pederneiras, que trouxe para a empreitada seus cinco irmãos e mais alguns amigos. Seus pais cederam a casa onde moravam para ser a sede do Corpo. Paulo Pederneiras, diretor geral, viria depois a assumir também a iluminação dos espetáculos; Rodrigo Pederneiras, que inicia como bailarino, será o coreógrafo de praticamente todos os trabalhos do Corpo a partir de 1981. Dos demais fundadores do Grupo vários permanecem até hoje: Pedro Pederneiras, Carmen Purri, Miriam Pederneiras e Cristina Castilho.
Rodrigo faz sua primeira coreografia para o Grupo Corpo, Cantares, entre Maria Maria e Último Trem. Cinco outras podem ser listadas num primeiro conjunto: Tríptico e Interânea (1981), Noturno e Reflexos (1982) e Sonata (1984). Cantares é de 1978, ano em que a nova sede do Corpo é inaugurada e Emilio Kalil junta-se ao Grupo, onde assumirá mais tarde, por alguns anos, a co-direção com Paulo.

Rodrigo faz sua primeira coreografia para o Grupo Corpo, Cantares, entre Maria Maria e Último Trem. Cinco outras podem ser listadas num primeiro conjunto: Tríptico e Interânea (1981), Noturno e Reflexos (1982) e Sonata (1984). Cantares é de 1978, ano em que a nova sede do Corpo é inaugurada e Emilio Kalil junta-se ao Grupo, onde assumirá mais tarde, por alguns anos, a co-direção com Paulo.
Fotos de José Luiz Pederniras
espetáculo: "O Corpo"
fonte: Grupo Corpo, por Inês Bogéa
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sexta-feira, 2 de maio de 2008
Dança do Povo de Israel

A Bíblia nos revela a presença da dança no Êxodo, no livro de Juizes e nos Salmos, no Antigo e Novo Testamento, proporcionando, através de suas páginas, importantes informações de como aquela manifestação acompanhava os significativos momentos da vida do povo hebreu. Considerando as evidências encontradas na Bíblia, o Israel antigo dançava com frequência em diversas ocasiões. Miriã celebrou a libertação dos israelitas da escravidão egípcia dançando; Davi dançou com fervor perante a arca revelando a si mesmo diante do povo. Distinguimos entre as danças judaicas, as religiosas, executadas no templo e presentes nas festas de maio, na festa dos tabernáculos e na festa das colheitas, três épocas marcantes. Os fatos sociais, desde os mais simples aos mais relevantes, eram comemorados com canto, música e muito frequentemente com manifestações coreográficas, assim como as festividades agrícolas.As danças palestinas, na sua maioria, derivam de danças religiosas, e foram também influenciadas por outras culturas, com predominância da egípcia. As danças sagradas dos hebreus expandiram-se e deixaram vestígios na Europa da Idade Média. Há reminiscência de sua prática em muitas cerimônias do passado e em algumas da atualidade.
Algumas citações bíblicas:
2 Sm 6: 12-15 "Então avisaram a Davi, dizendo: O Senhor abençoou a casa de Obede-Edom e tudo quanto tem, por amor da arca de Deus: foi, pois Davi, e, com alegria, fez subir a arca de Deus da casa de Obede-Edom, à cidade de Davi. sucedeu que, quando os que levavam a arca do Senhor tinham dado seis passos, sacrificava ele bois e carneiros cevados. Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava cingido duma estola sacerdotal de linho."1 Sm 18: 6 e 7 " Sucedeu, porém, que, vindo Saul e seu exército, e voltando também Davi de ferir os filisteus, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, cantando e dançando, com tambores, com júbilo e com instrumentos de música. As mulheres se alegravam e, cantando alternadamente, diziam: Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares."Lc 15: 25-27 "Ora, o filho mais velho estivera no campo: e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe o que era aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde."Ex 15: 20 e 21 "A profetiza Miriã, irmã de Arão, tomou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou, e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro."
É muito importante, se vamos trabalhar no ministério de dança, conhecermos o que a Bíblia nos diz a respeito. Incentivo você a continuar essa pesquisa sobre a dança no povo de Israel e a encontrar mais algumas citações bíblicas.
por Carolina Gualberto
Alvin Ailey

Nascido em 5 de Janeiro de 1931 na cidade de Rogers – Texas, nos Estados Unidos, Alvin Ailey Jr. Foi um dos coreógrafos mais reconhecidos de sua geração. Em 1942 foi para Los Angeles onde estudou dança e coreografia de 1949 a 1954. Em seguida foi para Nova York onde firmou-se com intérprete e logo em seguida como criador.

Em 1958 fundou o Alvin Ailey American Dance Theater, que era composto principalmente por dançarinos negros. Partindo da dança Moderna e aliando-se a suas memórias texanas, Ailey utilizou como referência o blues, o spirituals e o gospel para montar “Revelations”, sua obra mais aclamada pelo público e pela crítica





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terça-feira, 29 de abril de 2008
Introdução à Filosofia da Arte

Para aqueles que desejam se aprofundar mais nas produções de dança e na formação crítica de arte, segue a dica de um bom livro que irá auxiliá-lo a analisar com olhos mais maduros a situação da arte na atualidade e no decorrer da história.
Introdução à Filosofia da Arte, de Benedito Nunes (Editora Ática), mostra como se deu a construção da idéia da arte em Aristóteles e Platão para analisar os principais filósofos de arte contemporâneos. Atenta com mais acuidade para o modernismo, o movimento antropofágico e a crítica do século XIX até fins do século XX no Brasil.
Examinai tudo. Retende o bem.
(1 Tessalonicenses 5:21)
Boa Leitura !!!
Poesia Encarnada
(Imagem: Marika Gidali - Diretora do Ballet Stagium)A maior parte dos artistas cristãos de dança com quem tive contato direto ou indireto, não têm o hábito de ler, ainda menos o hábito de ler para produzir dança. Isso não é uma regra, nem precisa ser. Mas, por experiência própria, percebi que a leitura de textos filosóficos, críticas, poesias e literaturas ajudam MUITO na produção de obras de arte.
Essas leituras não só auxiliam na criação como também dão respaldo para a mensagem, sensação, história, idéia, pesquisa ou seja lá o que você deseja falar através da sua coreografia, peformance ou improvisação.
Baseado nessa afirmação, pretendo postar com alguma regularidade, textos e poesias que me auxiliaram em alguma construção ou que possam ser úteis para a sua construção de corpo em dança. E inaugurando, posto aqui uma poesia de Cecília Meirelles que se tornou meu lema na equipe de evangelismo com artes (Adufes Cia de Artes), do qual sou parte.
Segue:
FALAI DE DEUS
Falai de Deus com a clareza
Da verdade e da certeza:
Com um poder
De corpo e alma que não possa
ninguém, à passagem vossa,
não o entender
Falai de Deus brandamente,
que o mundo se pôs dolente,
tão sem leis
Falai de Deus com doçura,
que é difícil ser criatura:
bem o sabeis
Falai de Deus de tal modo
que por Ele o mundo todo
tenha amor
à vida e à morte, e, de vê-lo,
o escolha como modelo superior
Com voz, pensamentos e atos
representai tão exatos
os reinos Seus,
que todos vão livremente
para esse encontro excelente.
Falai de Deus.
(Cecília Meirelles)
sábado, 26 de abril de 2008
O Meu Deus Dança.
“Eu só creria num Deus que soubesse dançar...” - Friedrich Nietzsche
Meu pai não dançava, e não apenas porque a muleta o impedia, mas porque na família dele a dança não era tão celebrada, embora alguns dos meus tios gostassem de um arrasta pé à moda cabocla. Minha mãe dançava menos ainda. Filha da Mãe Velhinha, protestante, puritana, com mania de limpeza, com ódio de festa, e seu trauma com um marido mulherengo, minha vovó não poderia nem sequer se imaginar dançando. Daí minha mãe jamais ter dançado, exceto depois de velha, e já puxada por mim como brincadeira. Eu cresci sem dançar, embora, aí pelos 7 anos, eu adorasse tentar bailar. Dancei a primeira vez já aos 12 anos, quando, forçado por uma namoradinha, me vi diante de um “ou dança, ou dança”. Então dancei pra não dançar. E gostei... Dali em diante passei a dançar, até que conheci, em Manaus, aos 15 anos, alguns dos melhores dançarinos de salão que eu já tinha visto dançar. Celsinho foi um amigo que me soltou na dança. Ele era habilidoso, e me tirou a timidez de rebolar machamente, de me deixar levar pelo som, de emprestar o corpo à musica, e de deixar a musica fazer possessão da alma, transformando isso em movimento e forma: estética em movimento e sincronia. Então me soltei, e, durante anos dancei com imenso prazer, todos os dias, às vezes quase o dia inteiro, e, com certeza, todas as noites. Eu tinha prazer em dançar! Depois veio a conversão e o dançar entrou na lista das coisas mundanas que deveriam sair de minha existência. E, assim, nunca mais dancei, até que chegou dezembro de 1998, quando voltei a dançar, embalado também pelas agonias de meus desastres e tristezas, bem como da vergonha publica provocada pela exposição no malfadado “Dossiê Caymam”. Dancei, dancei e dancei. Dancei como índio quando se prepara para a guerra. Escolhi seguir o ritmo das percussões quando dançava. E me abandonava, de olhos fechados, à tirania e à possessão que a musica exerce sobre aquele que entrega sua alma ao ritmo e o corpo ao movimento provocado pela força da musica. E como me fez bem! Depois disso não mais deixei e nem pretendo deixar de dançar com minha mulher. Dançamos em casa, dançamos sozinhos, dançamos em casamentos, em festas, e dançamos em pistas dançantes... A minha pergunta é: por que os cristãos não dançam? Como? Se o primeiro milagre aconteceu numa festa, se a volta do pecador a Deus é como uma festa com dança, se o convite do reino é para um casamento com festa, se Jesus vivia em festas e banquetes, e também se a Escritura inteira sempre relaciona a vinda da Graça à sociedade, com danças de virgens, folguedos na praça, canções de amor, e vinho de alegria? Ora, até os judeus da idade da pedra da revelação, dançam. Dançam religiosamente; e dançam por mera alegria. Mas os cristãos não dançam. Ora, de onde vem isto? A viagem é longa, mas o roteiro básico é esse: o ascetismo que dominou setores da igreja, inibiu o estético e o artístico; a dicotomia gerada pela absorção do gnosticismo, produziu uma separação entre o material e o espiritual; o sacerdotalismo judaico, revivido pelo sacerdotalismo romano, com muitas absorções dos cultos pagãos, criou a ambiência do 'misterioso sem movimento'; os movimentos de santificação pela via das mortificações, impediam qualquer que fosse a expressão de afeto e toque; e a chegada do puritanismo protestante, e seus filhotes comportamentais e legais, os pentecostais legalistas, consumaram a obra de paralisia do corpo em relação a nada que não seja sinal de comunicação, expressão de funcionalidade física e profissional, e minimamente no ato conjugal moderado e sóbrio. Mas dançar? Jamais! Essa coisa de se mexer ao sabor dos contornos de uma musica ou melodia, e de se entregar a movimentos coordenados e em harmonia com outro corpo, é algo que ofende o paganismo greco-romano-anglo-saxão-puritano, e que constituiu a parede emocional e cultural do protestante e do evangélico, até mais do que do católico. Pela dança se celebra a alegria da vida, e tudo que é alegria de viver, é gratidão a Deus. Dançar não só é gostoso, como também pode até mesmo conduzir a pessoa a uma espécie de êxtase. Não raramente me sinto arrebatado quando danço com sinceridade. A dança é bela, linda, fascinante, mas só será sensual se quem dançar estiver gerando uma energia sensual; ou se o observador estiver com o olhar contaminado pela cobiça. Dançar, no entanto, é extravasar a alma mediante uma linguagem supra-racional, e que pode ser pura expressão de ser e sentir. Todavia, esse dançar não é acontece na “boquinha da garrafa”. Ele é portal dos sentidos e acontece nas fronteiras dos extra-sentidos. Portanto, não se inspira enquanto rebola subindo e descendo até a “boquinha da garrafa”. Quando leio os evangelhos vejo cada vez mais Jesus se movendo conforme as ondas e melodias de cada musica histórica que o afetava como fado de enfermidade, como danças de curas, como balés de milagres, como poesia de mensagens, como plasticidade cênica incomparável; e como presença certa em muitos jantares e banquetes, não importando a casa, mas apenas a recepção. Tudo em Jesus tem arte, estética, movimento, poesia, melodia, e ritmo. E Suas histórias são cheias de imagens e parábolas de festa, dança e convites a banquetes divinos e casamentos. Para Jesus até os anjos dançam e bailam quando uma consciência volta a si e se entrega ao amor do Pai. A grande ironia é que o Evangelho da dança, do banquete, da festa, das bodas, dos beijos de reconciliação, e do bom humor e das histórias até irônicas, virou o Cristianismo e seus filhos, os quais são contra toda alegria que não seja explicitamente litúrgica, que são contra a alegria do corpo, que são contra o bailar livre da alma e do corpo como expressão de gratidão explosiva ou como mera expressão de gáudio humano e sadio. Quem reclama muito disse hoje em dia são as mulheres dos homens crentes, que dizem que “não é bom”, porque o maridão crente não aprendeu a dançar. Dançar pode ser terapêutico para tudo, inclusive para a vida sexual, sem falar que é um dos mais eficazes desopilantes psicológicos. Jesus disse que os jejuns e tristezas seriam normais quando o Noivo (Jesus) fosse tirado dos discípulos. Mas isso seria apenas por “um pouco”, e, outra vez, em apenas um outro “um pouco”, e eles O veriam; e, dessa vez, sua alegria ninguém poderia tirar. Para mim um dos maiores sinais de cura humana, psicológica, cultural, e de grande libertação acontecerá no dia em que eu vir os crentes dançando pela alegria de dançar, fazendo isto como celebração da vida, conforme Jesus ensina no espírito do Evangelho, o qual se estriba em Sua própria atitude frente às celebrações humanas e ante as simples alegrias desta vida. O que os cristãos da religião precisam saber é que as danças da Nova Jerusalém não serão Piquiniques Evangélicos, mas ao contrário, serão celebrações de todas formas de expressão de vida que existirem nos povos. Quem não gosta, melhor é que vença esse preconceito, pois, o convite eterno é para a Festa do Cordeiro.
Nele, em Quem meu ser dança,
Caio Fábio
Fonte: www.caiofabio.com
A Verdadeira Guerra da Adoração

Esqueça a disputa entre cânticos contemporâneos e hinos tradicionais – o problema é: onde está a justiça? - Por Mark Labberton (tradução de Whaner Endo)
Em um culto de louvor que participei, minha atenção dirigiu-se ao entusiasmado líder do louvor. Ele começou o momento com uma oração, pedindo a Deus para nos levar à sua presença. Ainda com seus olhos fechados, enquanto a banda continuava a tocar, ergueu suas mãos e ofereceu sua oração de louvor a Deus.
Foi aí que percebi que, enquanto cantava agitadamente, ele pisava os pés dos músicos que estavam atrás dele. Não apenas uma vez, mas repetidamente durante toda a música. E o pior, sem se desculpar, sem reconhecer o seu “tropeçar no espírito”. Ele estava apenas adorando ao Senhor, enquanto pisava no seu próximo.
Não tenho dúvida de que o líder do louvor estava tão absorvido pela sua própria experiência de adoração que perdera a noção dos demais que estavam à sua volta. E este é exatamente o problema.
Embora nossa paixão aparente por Deus, no final das contas nossa adoração parece ser, em grande parte, adoração a nós mesmos. Não assumimos que podemos adorar de uma forma que, mesmo encontrando Deus, nos distanciamos do nosso próximo. E, na verdade, foi esse padrão de adoração na vida de Israel que trouxe a eles o julgamento do Senhor. Adoração bíblica nos leva ao encontro a Deus, mas também ao próximo.
O que é irônico e, especialmente pertinente, é que muitos debates sobre adoração são apenas formas indiretas de falarmos sobre nós mesmos, não sobre Deus. Nosso debate é se gostamos ou não do estilo do nosso culto de louvor semanal. É uma adoração de consumo, em vez de uma adoração de oferta. É uma expressão do gosto humano e, não reflete mais a glória de Deus.
Se adoramos Jesus Cristo, então temos de viver como Jesus. De fato, Jesus disse em Mateus 25.31-46 que nosso louvor será medido de acordo com o que vivemos.
O epicentro da guerra sobre adoração é esse: nossa prática de adoração está separada do nosso chamado à justiça e, o pior, promove as tendências à auto-indulgência da nossa cultura, em vez de nutrir uma vida de auto-sacrifícios em prol do Reino de Deus.
Paralizados nos bancos das igrejas
Eu não me excluo dessa crítica, nem por um momento. E nem a congregação à qual faço parte. Muitos de nós estamos simplesmente ocupados demais com nosso dia-a-dia. A não ser as grandes manchetes, poucos problemas mundiais calam em nossos corações. E, quando prestamos atenção, normalmente experimentamos uma avalanche de notícias sobre um interminável senso de necessidade e desespero vindo de lugares como Timor Leste, Darfur, Baixo-Saara, Bangladesh, Haiti.
Admitimos que pessoas estão sofrendo no mundo. Mas, concluímos que o sofrimento “daquelas pessoas” não tem nada a ver com a gente; que morrer de fome nos campos de refugiados no Sudão é diferente do sofrimento das pessoas sem teto que encontramos no caminho para o nosso trabalho; que aquilo está além da nossa possibilidade de resposta ao sofrimento mundial.
Parte dessa doença é este trágico raciocínio: em face das necessidades mundiais, se não podemos fazer tudo, então não podemos fazer nada. Ficamos paralisados, inertes.
Enquanto isto, nosso mundo sofrido espera por um sinal de Deus na terra, “com grande expectativa que os filhos de Deus sejam revelados” (Rom. 8.19). O plano de Deus é que nós, a igreja, sejamos a evidência primeira da presença de Deus. Todo continente precisa de sinais concretos disto. Estatísticas surpreendentes sobre grilagem de terras e escravidão, má nutrição e fome, AIDS e prisões injustas são abundantes. Um abismo enorme entre a realidade atual do mundo e as preocupações da maioria dos cristãos na América do Norte.
O chamado de Jesus para “ir e fazer discípulos” deve ser realizado num mundo como este. As boas novas que transforma vidas é o amor salvador de Deus em Jesus Cristo, que deseja transformar cada pessoa e cada coisa (inclusive toda forma de injustiça e opressão) em algo novo. Esta é a nossa esperança e comissionamento.
A verdadeira crise na adoração é essa: será que as pessoas adorarão a Deus de uma forma que demonstrarão que estamos acordados? Adorando seu próximo em nome de Deus? Iremos adorar o Deus vivo enquanto ele nos pede “que façamos o que é direito, que amemos uns aos outros com dedicação e vivamos em humilde obediência ao nosso Deus”?
Líderes de adoração talvez queiram focar apenas no que parece culturalmente e socialmente urgente. Mas, se fomos criados para adorar o Senhor de toda criação, o Salvador do mundo, então enquanto estamos checando o som ou refletindo em orações ou sermões, temos de permanecer firmes numa visão mais ampla do amor de Deus.
O mundo na nossa adoração
Por muitos anos, recebo a cada domingo pela manhã um e-mail de missionários parceiros que apoiamos. Este casal e suas três filhas pequenas estavam vivendo e servindo junto às crianças em risco no Camboja. Um dos únicos emails que eu lia antes do culto era o seu relatório semanal. Eu lia como uma disciplina espiritual, como um pedacinho de misericórdia e verdade, como um lembrete e um chamado.
Eu precisava liderar nosso culto de adoração em Berkeley com meu coração renovadamente tocado pela realidade do sofrimento do mundo, da urgência em ouvir e viver a esperança do Evangelho, e o alegre e custoso chamado para uma vida de sacrifício em nome de Jesus.
A cada domingo eu desejo servir às pessoas nos primeiros bancos das igrejas e levá-los à transformadora presença do Senhor. O problema é: mas qual critério usar?
As escrituras indicam que a resposta é: aqueles que se sentem abençoados pela adoração vivem vidas transformadas. A evidência não é apenas os comentários logo após o término do culto, mas se as pessoas estão realmente dando suas vidas pelos pobres e oprimidos de forma tangível.
Num desses domingos, eu preguei sobre o Salmo 27, um salmo maravilhoso que descreve claramente o que é ter medo e encontrar o conforto de Deus. Tenho certeza que o sermão foi, pelo menos um “bom sermão”, talvez um “grande sermão”. Durante aquela semana eu fui a um jantar promovido pela International Justice Mission, uma organização cristã que busca justiça para pessoas que estão enfrentando várias formas de opressão.
Elisabeth, uma bela jovem de 17 anos do sudeste da Ásia, falou à noite. Ela cresceu num lar cristão, memorizando versículos bíblicos, que se tornaram mais vivos durante os anos em que ela ficou seqüestrada, forçada a prostituir-se, escravizada em um miserável bordel. Enquanto ela falava, projetava imagens do seu quarto naquele bordel. Sobre a cama, onde ela era brutalmente maltratada, dia após dia, ela havia escrito estas palavras na parede: “O SENHOR Deus é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR me livra de todo perigo; não ficarei com medo de ninguém. Quando os maus, os meus inimigos, me atacam e procuram me matar, são eles que tropeçam e caem”. São os versículos iniciais do Salmo 27.
Relembrei o domingo anterior e o meu sermão sobre o mesmo salmo, lembrei dos medos que eu listara para as pessoas na minha igreja. Eram medos reais e legítimos, mas nenhum deles era tão enfático como os que Elisabeth enfrentara. Eu tinha como que uma imagem de um filme mudo na minha mente, ouvindo Elisabeth, enquanto visualizava um encontro de adoração da minha comunidade, em um domingo qualquer. Enquanto estávamos ocupados tentando estacionar nossos carros em Berkeley naquela manhã, uma tarefa “tão horrível” (como uma pessoa me disse recentemente), Elisabeth estava indo adorar do seu jeito. Ela achegava-se a Deus no seu quarto sem janelas, naquele bordel. E nós, na nossa igreja cheia de vitrais...
Se nós enxergássemos a história de Elizabeth através das lentes da narrativa bíblica, perceberíamos que amar a Deus nos impulsionaria a amar Elizabeth. Não porque sua história nos provoca sentimento de compaixão, mas porque sua vida e circunstâncias reivindicam aqueles que adoram Jesus Cristo.
Adoração como se o mundo dependesse disso
Verdadeiros adoradores aclaram o propósito de Deus e nossa parte nisso. Falsos adoradores, que podem ser encontrados facilmente tanto entre o povo de Deus quanto em qualquer outro lugar, nos levam a uma missão totalmente distorcida.
Tome-se como exemplo o poder, por exemplo. Poder é um das mais profundas bênçãos de Deus e, portanto um dos principais alvos dos falsos adoradores; ou seja, tomam o poder e mal utilizam-no para outras coisas, além de honrar o Senhor e sua criação. O sofrimento de Elizabeth, e muito do nosso próprio sofrimento, tem a ver com o abuso de poder. Adoradores fiéis ajudam-nos a aclarar e limitar o poder humano em nossas mentes e corações. Falsos adoradores nunca fazem isso. Falsos adoradores determinam a injustiça, uma distorção ou aberração do poder. Adoradores fiéis perguntam se estamos vendo e vivendo a realidade de Deus ou a ficção criada pelas nossas próprias vidas decaídas. Quando nós ou qualquer outra pessoa além de Deus assume o papel principal, a vida nos “chicoteia” para fora da direção.
Os efeitos da falsa adoração distorcem nosso senso de Deus, levando-nos a injustiças e sofrimento, orgulho e prepotência. Os prejuízos continuam implacavelmente. Não é a toa que Deus se enfureceu com Israel, ou com a Igreja, quando essa distorção foi perpetuada exatamente pelas pessoas que Ele tomou para si. Essa é a mensagem ardente de Isaías, Jeremias e Amós. Esta é o front da Guerra da Adoração que realmente interessa ao Senhor. A quem devemos temer?
Outra distorção que a falsa adoração promove é essa: perdemos a noção do desejo que o Senhor tem em nos fazer testemunhas do seu amor e justiça. Deus quer que dos verdadeiros adoradores fluam vidas que sejam evidências, nesse mundo, do seu caráter justo e íntegro. A falsa adoração, em vez disso, leva à falsa representação: podemos falar no nome de Senhor, mas falhamos em mostrar a Sua vida. O profeta Isaías disse que, quando o povo de Deus faz isso, mentimos sobre o Deus que representamos (Isaías 5.20-23; 29.13-16).
Deus quer que os descendentes de Abraão sejam abençoados e abençoadores. O relacionamento que tinham com Deus era tanto para seu bem quanto para o bem daqueles que, através deles (e de nós, também) “sentiam e viam que o Senhor é bom”. O mundo deve ver e saber das coisas de Deus através das vidas e ações dos verdadeiros adoradores.
Adoração que rearranja
Em uma viagem à Índia, conversei com um pastor sobre hábitos de leitura. Ele me disse: “se eu economizar por quatro meses, poderei comprar um livro cristão com o desconto que me dão. Nunca viajei para fora da Índia, mas já ouvi que nos Estados Unidos, algumas vezes compram livros e não os lêem”. E me perguntou com espanto: “Isso é verdade?” Murmurei alguma coisa para encobrir, enquanto eu pensava nos livros que existiam nas minhas prateleiras.
Nossa preocupação não é saber se compramos livros e não os lemos, mas quantos compramos. Se vacinamos nossas crianças ou não, mas se podemos acompanhar o processo para comprová-lo nas escolas dos nossos filhos. Não é se nos alimentamos ou não, mas o quanto comemos além do que precisamos ou até mesmo queremos. Não é se temos cama, mas qual a cor do lençol. Se teremos a possibilidade de ouvir sobre o amor de Deus em Jesus Cristo, mas qual ministério, igreja ou meio de comunicação eu mais gosto. Algumas pessoas, no nosso País, não têm a possibilidade de fazer essas escolhas (um escândalo, por si só). Mas, a maioria das pessoas nos Estados Unidos, tem. Enquanto isso, milhões de pessoas do sudoeste asiático e outros países pobres não poderão, nunca, tomar as suas próprias decisões.
Essa disparidade econômica e suas injustiças são questões para a adoração. De acordo com as escrituras, a principal forma de mostrarmos ou distingüirmos a verdadeira adoração da falsa adoração tem a ver com como respondemos aos pobres, oprimidos, negligenciados e esquecidos. E hoje não vejo esse tema borbulhando nas águas da adoração na Igreja americana. Mas justiça e misericórdia não são assessórios da adoração e, nem conseqüência do louvor. Justiça e misericórdia são intrínsecos a Deus e, portanto intrínsecos à adoração a Deus.Nossa adoração deve nos levar a uma maior misericórdia, a profundos atos de justiça, por aqueles que são os últimos da lista, os últimos a serem lembrados e os últimos a serem desejados.
A vigorosa adoração bíblica deve parar ou ao menos redirecionar nosso consumismo sem fim, de forma a fazer que nossas livres e fiéis escolhas sejam “gastar menos” para assim podermos “dar mais”. A reputação da nossa comunidade, como as escrituras sugerem, deveria ser a de compromisso com aqueles que perseguem a justiça, com os oprimidos, pois isso é o que significa sermos o Corpo de Cristo na terra. Não deveríamos nos enganar, pensando que isso é suficiente para nos levar ao coração de Deus, sem que nossas vidas mostrem ao mundo o coração desse Deus.
Trecho do livro “The Dangerous Act of Worship - Living God's Call to Justice” que será publicado no Brasil pela W4 Editora.
Em um culto de louvor que participei, minha atenção dirigiu-se ao entusiasmado líder do louvor. Ele começou o momento com uma oração, pedindo a Deus para nos levar à sua presença. Ainda com seus olhos fechados, enquanto a banda continuava a tocar, ergueu suas mãos e ofereceu sua oração de louvor a Deus.
Foi aí que percebi que, enquanto cantava agitadamente, ele pisava os pés dos músicos que estavam atrás dele. Não apenas uma vez, mas repetidamente durante toda a música. E o pior, sem se desculpar, sem reconhecer o seu “tropeçar no espírito”. Ele estava apenas adorando ao Senhor, enquanto pisava no seu próximo.
Não tenho dúvida de que o líder do louvor estava tão absorvido pela sua própria experiência de adoração que perdera a noção dos demais que estavam à sua volta. E este é exatamente o problema.
Embora nossa paixão aparente por Deus, no final das contas nossa adoração parece ser, em grande parte, adoração a nós mesmos. Não assumimos que podemos adorar de uma forma que, mesmo encontrando Deus, nos distanciamos do nosso próximo. E, na verdade, foi esse padrão de adoração na vida de Israel que trouxe a eles o julgamento do Senhor. Adoração bíblica nos leva ao encontro a Deus, mas também ao próximo.
O que é irônico e, especialmente pertinente, é que muitos debates sobre adoração são apenas formas indiretas de falarmos sobre nós mesmos, não sobre Deus. Nosso debate é se gostamos ou não do estilo do nosso culto de louvor semanal. É uma adoração de consumo, em vez de uma adoração de oferta. É uma expressão do gosto humano e, não reflete mais a glória de Deus.
Se adoramos Jesus Cristo, então temos de viver como Jesus. De fato, Jesus disse em Mateus 25.31-46 que nosso louvor será medido de acordo com o que vivemos.
O epicentro da guerra sobre adoração é esse: nossa prática de adoração está separada do nosso chamado à justiça e, o pior, promove as tendências à auto-indulgência da nossa cultura, em vez de nutrir uma vida de auto-sacrifícios em prol do Reino de Deus.
Paralizados nos bancos das igrejas
Eu não me excluo dessa crítica, nem por um momento. E nem a congregação à qual faço parte. Muitos de nós estamos simplesmente ocupados demais com nosso dia-a-dia. A não ser as grandes manchetes, poucos problemas mundiais calam em nossos corações. E, quando prestamos atenção, normalmente experimentamos uma avalanche de notícias sobre um interminável senso de necessidade e desespero vindo de lugares como Timor Leste, Darfur, Baixo-Saara, Bangladesh, Haiti.
Admitimos que pessoas estão sofrendo no mundo. Mas, concluímos que o sofrimento “daquelas pessoas” não tem nada a ver com a gente; que morrer de fome nos campos de refugiados no Sudão é diferente do sofrimento das pessoas sem teto que encontramos no caminho para o nosso trabalho; que aquilo está além da nossa possibilidade de resposta ao sofrimento mundial.
Parte dessa doença é este trágico raciocínio: em face das necessidades mundiais, se não podemos fazer tudo, então não podemos fazer nada. Ficamos paralisados, inertes.
Enquanto isto, nosso mundo sofrido espera por um sinal de Deus na terra, “com grande expectativa que os filhos de Deus sejam revelados” (Rom. 8.19). O plano de Deus é que nós, a igreja, sejamos a evidência primeira da presença de Deus. Todo continente precisa de sinais concretos disto. Estatísticas surpreendentes sobre grilagem de terras e escravidão, má nutrição e fome, AIDS e prisões injustas são abundantes. Um abismo enorme entre a realidade atual do mundo e as preocupações da maioria dos cristãos na América do Norte.
O chamado de Jesus para “ir e fazer discípulos” deve ser realizado num mundo como este. As boas novas que transforma vidas é o amor salvador de Deus em Jesus Cristo, que deseja transformar cada pessoa e cada coisa (inclusive toda forma de injustiça e opressão) em algo novo. Esta é a nossa esperança e comissionamento.
A verdadeira crise na adoração é essa: será que as pessoas adorarão a Deus de uma forma que demonstrarão que estamos acordados? Adorando seu próximo em nome de Deus? Iremos adorar o Deus vivo enquanto ele nos pede “que façamos o que é direito, que amemos uns aos outros com dedicação e vivamos em humilde obediência ao nosso Deus”?
Líderes de adoração talvez queiram focar apenas no que parece culturalmente e socialmente urgente. Mas, se fomos criados para adorar o Senhor de toda criação, o Salvador do mundo, então enquanto estamos checando o som ou refletindo em orações ou sermões, temos de permanecer firmes numa visão mais ampla do amor de Deus.
O mundo na nossa adoração
Por muitos anos, recebo a cada domingo pela manhã um e-mail de missionários parceiros que apoiamos. Este casal e suas três filhas pequenas estavam vivendo e servindo junto às crianças em risco no Camboja. Um dos únicos emails que eu lia antes do culto era o seu relatório semanal. Eu lia como uma disciplina espiritual, como um pedacinho de misericórdia e verdade, como um lembrete e um chamado.
Eu precisava liderar nosso culto de adoração em Berkeley com meu coração renovadamente tocado pela realidade do sofrimento do mundo, da urgência em ouvir e viver a esperança do Evangelho, e o alegre e custoso chamado para uma vida de sacrifício em nome de Jesus.
A cada domingo eu desejo servir às pessoas nos primeiros bancos das igrejas e levá-los à transformadora presença do Senhor. O problema é: mas qual critério usar?
As escrituras indicam que a resposta é: aqueles que se sentem abençoados pela adoração vivem vidas transformadas. A evidência não é apenas os comentários logo após o término do culto, mas se as pessoas estão realmente dando suas vidas pelos pobres e oprimidos de forma tangível.
Num desses domingos, eu preguei sobre o Salmo 27, um salmo maravilhoso que descreve claramente o que é ter medo e encontrar o conforto de Deus. Tenho certeza que o sermão foi, pelo menos um “bom sermão”, talvez um “grande sermão”. Durante aquela semana eu fui a um jantar promovido pela International Justice Mission, uma organização cristã que busca justiça para pessoas que estão enfrentando várias formas de opressão.
Elisabeth, uma bela jovem de 17 anos do sudeste da Ásia, falou à noite. Ela cresceu num lar cristão, memorizando versículos bíblicos, que se tornaram mais vivos durante os anos em que ela ficou seqüestrada, forçada a prostituir-se, escravizada em um miserável bordel. Enquanto ela falava, projetava imagens do seu quarto naquele bordel. Sobre a cama, onde ela era brutalmente maltratada, dia após dia, ela havia escrito estas palavras na parede: “O SENHOR Deus é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR me livra de todo perigo; não ficarei com medo de ninguém. Quando os maus, os meus inimigos, me atacam e procuram me matar, são eles que tropeçam e caem”. São os versículos iniciais do Salmo 27.
Relembrei o domingo anterior e o meu sermão sobre o mesmo salmo, lembrei dos medos que eu listara para as pessoas na minha igreja. Eram medos reais e legítimos, mas nenhum deles era tão enfático como os que Elisabeth enfrentara. Eu tinha como que uma imagem de um filme mudo na minha mente, ouvindo Elisabeth, enquanto visualizava um encontro de adoração da minha comunidade, em um domingo qualquer. Enquanto estávamos ocupados tentando estacionar nossos carros em Berkeley naquela manhã, uma tarefa “tão horrível” (como uma pessoa me disse recentemente), Elisabeth estava indo adorar do seu jeito. Ela achegava-se a Deus no seu quarto sem janelas, naquele bordel. E nós, na nossa igreja cheia de vitrais...
Se nós enxergássemos a história de Elizabeth através das lentes da narrativa bíblica, perceberíamos que amar a Deus nos impulsionaria a amar Elizabeth. Não porque sua história nos provoca sentimento de compaixão, mas porque sua vida e circunstâncias reivindicam aqueles que adoram Jesus Cristo.
Adoração como se o mundo dependesse disso
Verdadeiros adoradores aclaram o propósito de Deus e nossa parte nisso. Falsos adoradores, que podem ser encontrados facilmente tanto entre o povo de Deus quanto em qualquer outro lugar, nos levam a uma missão totalmente distorcida.
Tome-se como exemplo o poder, por exemplo. Poder é um das mais profundas bênçãos de Deus e, portanto um dos principais alvos dos falsos adoradores; ou seja, tomam o poder e mal utilizam-no para outras coisas, além de honrar o Senhor e sua criação. O sofrimento de Elizabeth, e muito do nosso próprio sofrimento, tem a ver com o abuso de poder. Adoradores fiéis ajudam-nos a aclarar e limitar o poder humano em nossas mentes e corações. Falsos adoradores nunca fazem isso. Falsos adoradores determinam a injustiça, uma distorção ou aberração do poder. Adoradores fiéis perguntam se estamos vendo e vivendo a realidade de Deus ou a ficção criada pelas nossas próprias vidas decaídas. Quando nós ou qualquer outra pessoa além de Deus assume o papel principal, a vida nos “chicoteia” para fora da direção.
Os efeitos da falsa adoração distorcem nosso senso de Deus, levando-nos a injustiças e sofrimento, orgulho e prepotência. Os prejuízos continuam implacavelmente. Não é a toa que Deus se enfureceu com Israel, ou com a Igreja, quando essa distorção foi perpetuada exatamente pelas pessoas que Ele tomou para si. Essa é a mensagem ardente de Isaías, Jeremias e Amós. Esta é o front da Guerra da Adoração que realmente interessa ao Senhor. A quem devemos temer?
Outra distorção que a falsa adoração promove é essa: perdemos a noção do desejo que o Senhor tem em nos fazer testemunhas do seu amor e justiça. Deus quer que dos verdadeiros adoradores fluam vidas que sejam evidências, nesse mundo, do seu caráter justo e íntegro. A falsa adoração, em vez disso, leva à falsa representação: podemos falar no nome de Senhor, mas falhamos em mostrar a Sua vida. O profeta Isaías disse que, quando o povo de Deus faz isso, mentimos sobre o Deus que representamos (Isaías 5.20-23; 29.13-16).
Deus quer que os descendentes de Abraão sejam abençoados e abençoadores. O relacionamento que tinham com Deus era tanto para seu bem quanto para o bem daqueles que, através deles (e de nós, também) “sentiam e viam que o Senhor é bom”. O mundo deve ver e saber das coisas de Deus através das vidas e ações dos verdadeiros adoradores.
Adoração que rearranja
Em uma viagem à Índia, conversei com um pastor sobre hábitos de leitura. Ele me disse: “se eu economizar por quatro meses, poderei comprar um livro cristão com o desconto que me dão. Nunca viajei para fora da Índia, mas já ouvi que nos Estados Unidos, algumas vezes compram livros e não os lêem”. E me perguntou com espanto: “Isso é verdade?” Murmurei alguma coisa para encobrir, enquanto eu pensava nos livros que existiam nas minhas prateleiras.
Nossa preocupação não é saber se compramos livros e não os lemos, mas quantos compramos. Se vacinamos nossas crianças ou não, mas se podemos acompanhar o processo para comprová-lo nas escolas dos nossos filhos. Não é se nos alimentamos ou não, mas o quanto comemos além do que precisamos ou até mesmo queremos. Não é se temos cama, mas qual a cor do lençol. Se teremos a possibilidade de ouvir sobre o amor de Deus em Jesus Cristo, mas qual ministério, igreja ou meio de comunicação eu mais gosto. Algumas pessoas, no nosso País, não têm a possibilidade de fazer essas escolhas (um escândalo, por si só). Mas, a maioria das pessoas nos Estados Unidos, tem. Enquanto isso, milhões de pessoas do sudoeste asiático e outros países pobres não poderão, nunca, tomar as suas próprias decisões.
Essa disparidade econômica e suas injustiças são questões para a adoração. De acordo com as escrituras, a principal forma de mostrarmos ou distingüirmos a verdadeira adoração da falsa adoração tem a ver com como respondemos aos pobres, oprimidos, negligenciados e esquecidos. E hoje não vejo esse tema borbulhando nas águas da adoração na Igreja americana. Mas justiça e misericórdia não são assessórios da adoração e, nem conseqüência do louvor. Justiça e misericórdia são intrínsecos a Deus e, portanto intrínsecos à adoração a Deus.Nossa adoração deve nos levar a uma maior misericórdia, a profundos atos de justiça, por aqueles que são os últimos da lista, os últimos a serem lembrados e os últimos a serem desejados.
A vigorosa adoração bíblica deve parar ou ao menos redirecionar nosso consumismo sem fim, de forma a fazer que nossas livres e fiéis escolhas sejam “gastar menos” para assim podermos “dar mais”. A reputação da nossa comunidade, como as escrituras sugerem, deveria ser a de compromisso com aqueles que perseguem a justiça, com os oprimidos, pois isso é o que significa sermos o Corpo de Cristo na terra. Não deveríamos nos enganar, pensando que isso é suficiente para nos levar ao coração de Deus, sem que nossas vidas mostrem ao mundo o coração desse Deus.
Trecho do livro “The Dangerous Act of Worship - Living God's Call to Justice” que será publicado no Brasil pela W4 Editora.
Mark Labberton é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Berkeley, Califórnia.
Fonte: LeadershipJournal.net via Blog da W4 Editora
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